LINHAS DE PESQUISA

As linhas de pesquisa do CeVIVAS formam um ecossistema integrado de vigilância e resposta, essencial para traduzir dados laboratoriais em estratégias concretas de saúde pública. Enquanto a vigilância genômica atua como um radar constante, identificando mutações e o surgimento de variantes, as frentes de capacidade neutralizante, identificação de anticorpos e imunidade celular analisam a qualidade e a durabilidade da proteção imunológica, garantindo que saibamos exatamente como nosso sistema de defesa reconhece e combate diferentes ameaças.

Complementarmente, a linha de efetividade das vacinas realiza a ponte entre os achados laboratoriais e o impacto real na população, validando o sucesso das campanhas de imunização na redução de casos graves e óbitos. Juntas, essas pesquisas são fundamentais não apenas para antecipar o comportamento dos vírus, mas para orientar decisões baseadas em evidências, assegurando que as intervenções vacinais sejam sempre assertivas e adaptadas ao cenário epidemiológico atual.

CONHEÇA AS LINHAS DE PESQUISA

VIGILÂNCIA GENÔMICA
CAPACIDADE NEUTRALIZANTE DO SORO DE VACINADOS CONTRA AS VARIANTES VIRAIS DETECTADAS
IDENTIFICAÇÃO DE ANTICORPOS ESPECÍFICOS INDUZIDOS PELAS VACINAS E SUAS ESTABILIDADES
IMUNIDADE CELULAR PROTETORA EM RESPOSTA ÀS INFECÇÕES VIRAIS
EFETIVIDADE DAS VACINAS
O Brasil é o terceiro maior país das Américas, com dimensões continentais e com uma demografia e geografia muito diversa. Realizamos uma constante vigilância genômica dos vírus Influenza, SARS-CoV-2 e DENV circulantes no estado de São Paulo e no país. Os dados obtidos são continuamente enviados aos órgãos de assistência nas três esferas administrativas: municipal, estadual e federal, com o intuito de contribuir de maneira significativa para o direcionamento de ações em políticas públicas. Além disso, a história evolutiva dos vírus detectados pela nossa equipe é analisada e permite estimar, por exemplo, a relação de parentesco (filogenia) entre os genomas, o local e época de origem (datação) de linhagens, e a contabilização de mutações e linhagens por localidade geográfica (rede filogeográfica).
Utilizamos o ensaio de pseudovírus para monitorar a eficácia da resposta imune de indivíduos vacinados (contra Influenza e SARS-CoV-2) frente às novas variantes detectadas pela vigilância genômica. O processo envolve a criação de partículas virais quiméricas que carregam proteínas de superfície específicas do vírus de interesse, como a que carregam proteína Spike, combinadas a um que carregam gene repórter luminescente, como a luciferase.

Na prática, quando incubamos essas partículas com o soro do paciente, os anticorpos presentes tentam bloquear a entrada do vírus na célula-alvo. Se a neutralização for bem sucedida, a expressão do gene repórter é inibida, a redução dessa luz medida em laboratório nos dá, de forma quantitativa, a potência real dos anticorpos. Essa metodologia é uma peça-chave no CeVIVAS por ser mais segura que o uso de vírus selvagem e permitir alta sensibilidade com volumes mínimos de amostra, o que amplia significativamente nossa capacidade de testagem e a precisão na análise da durabilidade da proteção vacinal.
Um fator muito importante a ser considerado no monitoramento da efetividade da vacinação da população é a estabilidade dos anticorpos. A avaliação da reposta após diferentes tempos da imunização ou infecção é necessária para a correta avaliação da memória imune.

Atualmente, metodologias baseadas em ELISA que avaliam a presença de IgGs são utilizadas como teste padrão. Propomos utilizar uma nova metodologia baseada em espectrometria de massas que avalia especificamente os CDRs (Complementarity Determining Region) dos anticorpos circulantes para identificar aqueles CDRs correspondentes à resposta humoral aos vírus e, então, analisar diferentes plasmas de diferentes indivíduos com fins de quantificação de anticorpos (via quantificação de CDRs), em diferentes tempos após vacinação, para que a estabilidade dos anticorpos seja avaliada.
A caracterização do perfil de imunidade humoral e celular é fundamental para a análise de proteção de infecção e reinfecção, desenvolvimento de vacinas contra patógenos que apresentam variabilidade antigênica, controle de situações pandêmicas, potencialização da resposta imune e estudos de potencial vacinal em idosos e crianças.

Portanto, considerando que a resposta de células TCD4+ e TCD8+ efetoras e de memória exerce papel importante na proteção contra reinfecção, pretendemos criar um banco de soros e células sanguíneas de indivíduos vacinados e, então, analisar o padrão de resposta de indivíduos vacinados, frente às variantes dos vírus de Influenza e SARS-CoV-2, como um indicativo de eficiência do processo vacinal.
Este centro de estudos avaliará a efetividade das vacinas para Influenza e Covid-19, sob condições de vida real e questões como a efetividade, de acordo com diferenças sociodemográficas, de saúde e ambiental, número de doses necessárias por faixa etária e duração da proteção, e avaliação do estado imunológico.